As mães e os seus superpoderes

 

 

 

Quando somos crianças achamos que os pais são verdadeiros super heróis, na adolescência percebemos que não é bem assim, e mais tarde quando adultos, mais maduros percebemos que os pais são super humanos que é a nomenclatura que resolvi usar para determinar uma categoria onde apesar dos limites e do fato de se cometer erros, os pais são pessoas especiais e capazes de realizar atos heróicos.

Mas as mães resolvem tudo mesmo? Os problemas emocionais? Os problemas de comportamento? Os problemas com os amigos na escola? Os problemas de matemática? Os problemas de casa? Os problemas da família? E quando a mãe não está dando conta, quem poderá lhe ajudar....

Na sociedade que vivemos, a mulher precisa ser uma boa profissional, ser uma boa mãe, ser boa  em resolver problemas e  ser linda e magra. A pressão pela perfeição gera stress.  Quando somado a isso o filho(a) apresenta algum problema emocional, a mãe passa a questionar sua eficácia e capacidade. Também lhe ocorre algumas dúvidas: “devo procurar um psicólogo?”, “devo procurar um psiquiatra?”, “devo resolver tudo sozinha?”

Na dúvida, buscar ajuda profissional é sempre um bom começo, mesmo que seja algum problema leve, a orientação e a exclusão de que seja algo mais sério já traz uma tranquilidade fundamental para que se consiga lidar com a situação problema. 

As mães “suficientemente boas”, são capazes de resolver os problemas do cotidiano dos seus filhos usando um dos 5 poderes, digo sentidos: audição, visão, olfato, tato e paladar. As mães com habilidades tais como, observar, ouvir, abraçar, identificar cheiros, preparar aquela comidinha gostosa, e para as mais intuitivas “captar coisas” contribuem de forma significativa para melhora de problemas que podem se configurar ou não em um transtorno psiquiátrico (ressaltando que quando se configura um transtorno psiquiátrico deve-se considerar a terapia comportamental e  medicação).

Vale lembrar que na presença de um transtorno mental, essas habilidades não capacitam nenhuma mãe, nem mesmo as que possuem CRM à diagnosticar e tratar do seu filho(a). Para tal, precisa consultar um psiquiatra. É importante que as mães compreendam que para cuidar bem dos seus filhos elas precisam estar bem e que às vezes precisamos de ajuda e precisar de ajuda não é sinônimo de incompetência, é sabedoria e humildade, perceber e solicitar uma mãozinha, essa mãozinha pode ser um amigo, um familiar, um professor, um especialista e no caso de alterações de comportamento buscar um profissional da área de saúde mental.

Letícia Calmon Drummond Amorim - Psiquiatra