Só as mães são felizes?*

Letícia Calmon Drummond Amorim – Psiquiatra da Infância e Adolescência

No dia a dia do psiquiatra da infância e adolescência existe uma figura fundamental na vidinha da criança que busca o atendimento, ou melhor, na maioria das vezes quem busca o atendimento nem é a criança e sim esta peça importante para apontar e resolver problemas, essa pessoa é A Mãe.

Antes de começarmos vale ressaltar para fins didáticos que neste post vou excluir casos de Munchausen por procuração, quando a mãe de forma intencional produz sintomas em seu filho. Também não vou tratar aqui de questões psicodinâmicas apesar de compreender a dinâmica das relações e que por vezes características da relação podem influenciar a ocorrência de algum sintoma.

Esclarecimentos feitos, é na grande maioria das vezes a mãe quem agenda e quem acompanha seu filho nas consultas, é a mãe quem observa que há algo de errado e que as coisas não estão caminhando como deveriam, e também é a mãe que recebe todo o pré julgamento e pré conceito que o fato de levar seu filho a um PSIQUIATRA, infelizmente ainda nos dias de hoje traz...

É interessante observar que algumas mães vem acompanhadas entre outros por dois sentimentos na consulta médica a angústia e a culpa. A angústia de ver o sofrimento do filho e se sentir impotente para ajudar. E a culpa de ter feito ou não ter feito algo que pudesse “causar” o problema do seu filho. Vale ressaltar que mãe não é etiologia de nenhum transtorno mental mesmo quando esta apresenta alguma ligação indireta sobre algum comportamento que seu filho apresenta no momento da avaliação, seja no ponto de vista genético quando o filho herda alguma característica da mãe, seja no ponto de vista comportamental quando o filho aprende a agir como a mãe em determinadas circunstâncias, seja porque a mãe potencializa ou não algum tipo de comportamento.

Esses dois sentimentos podem comprometer a evolução do filho, fazendo com que expectativas muito grandes sejam frustradas e como que vestindo “óculos escuros” vendo situações de forma deturpada e sem perceber as diferenças.

Quando a mãe aceita o diagnóstico, aceita o tratamento, aceita seus limites e pede ajuda, as coisas vão fluindo melhor, e a tendência é tudo evoluir bem...

Em tempo: Os pais também tem um papel fundamental e deveriam ter o mesmo cuidado e responsabilidade na criação do filho, toda a família em geral  seja a tradicional ou as mais diversas variedades de família,  tem um objetivo em comum querer o bem estar e a felicidade do outro.

 

 

*O título do texto não parece adequado ao conteúdo, mas eu queria fazer uma referência à música do Cazuza.