Muito além do diagnóstico....

Letícia Calmon Drummond Amorim – Psiquiatra da Infância e Adolescência

Outro dia após avaliar uma criança eu disse para mãe que eu tinha duas notícias: uma boa e uma ruim e qual ela queria primeiro, ao falar a notícia ruim que se referia ao diagnóstico da criança, a notícia boa se referia ao tratamento e me dei conta que para a mãe aquela não era uma notícia não era boa, afinal ela teria que enfrentar uma guerra,  tentei amenizar o sofrimento de receber um diagnóstico e ao mesmo tempo tentei orientar e dar força para que ela enfrente todas as batalhas que virão pela frente após o diagnóstico....não sei se fui bem sucedida, o momento do diagnóstico é muito delicado e “a virada” não depende só de mim mas também dos recursos que a pessoa apresenta para reagir em situações adversas.

Depois refletindo sobre isso, pensei mas afinal será que sou portadora de más notícias?

O momento do diagnóstico é extremamente delicado, infelizmente, o fantasma da culpa ainda assombra algumas mães, mas passado o impacto do diagnóstico inicial vem o momento da busca pelo tratamento e  se pensarmos em tudo o que conhecemos sobre os transtornos mentais atualmente e todas as intervenções disponíveis com evidência cientifica de eficácia, receber um diagnóstico psiquiátrico, apesar de ser uma má notícia, quando ele não é feito as consequências podem ser piores ainda. Diagnosticar te permite traçar  uma diretriz para estabelecer um programa de intervenções para o tratamento e uma vida normal ou dentro das possibilidades com qualidade de vida, em psiquiatria infantil a intervenção precoce pode mudar o curso do desenvolvimento,  ou seja, o diagnóstico é apenas o começo...