Sobre receber um diagnóstico

Letícia Calmon Drummond Amorim*

Hoje ao conversar com uma mãe sobre o diagnóstico do seu filho, ela num misto de preocupação e serenidade, suspirou, eu a confortei, orientei quanto  ao tratamento, quadro clínico, prognóstico e tudo o que ela queria saber, mas a única coisa que ela dizia era que estava perdida e não sabia o que fazer. Acredito que o ideal seja ir com calma, fazer uma lista, elencar as prioridades  e aos pouquinhos as coisas vão se acertando, ajustando, e evoluindo.

Quando as crianças entendem  o que está se passando com elas, o diagnóstico faz sentido e explica uma série de coisas que eles sentem no seu dia a dia, geralmente elas aceitam mas os pais tem um pouco mais de resistência.

Com adultos varia, desde a busca por outros médicos ( e eu não acho errado buscar outra opinião, só não acho legal ficar pulando de médico em médico até ficar com o que falar o que ele quer  ouvir), enquanto outros sofrem e ficam decepcionados e com medo mas buscam ajuda.

Muito já se sabe (apesar de ter muito a ser descoberto) sobre os transtornos mentais,  a eficácia do tratamento medicamentoso e sua combinação com a terapia comportamental faz com que a evolução dos transtornos atualmente não seja como há 50 anos atrás...

Receber um diagnóstico é difícil, por causa do estigma e da falta de informação sobre os transtornos psiquiátricos, mas talvez o mais complicado seja superar seus próprios preconceitos, e ao invés de lutar contra ele, aceitar, afinal isso não te define, é apenas uma coisa que te exigirá cuidados. Sabe-se que o número de pessoas em uso de psicotrópicos e pessoas com transtornos mentais são altos. Assim podemos dizer que fazer tratamento psiquiátrico é natural como outro tratamento qualquer. Ter um transtorno mental também é normal.

* psiquiatra da Infância e adolescência