Juliana Gomes Pereira

 

100º Seminario  da Campanha Nacional sobre Drogas nas Escolas Superiores

29/04/15

 

Quarta-feira 8:30h

 

Nesta semana, fui surpreendida pela excelente qualidade do evento no CIEE (Centro de Integração Empresa-Escola) aqui em São Paulo. Contemplou as apresentações do Dr. Luiz Gonzaga Berteli, presidente do Conselho de Administração do CIEE, Profª Drª Ana Regina Noto, técnica da campanha nacional sobre drogas nas escolas superiores do CIEE e professora da DIMESAD- Disciplina de Medicina e  Sociologia do Abuso  de Drogas da UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo), Prof. Dr. Arthur Guerra de Andrade, fundador e supervisor geral do GREA, Programa do Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da FMUSP (IPQ-HC-USP) e presidente executivo do Centro de Informações  sobre Saúde e Álcool (CISA), Profª Drª Ana Cecília Petta Roselli Marques, psiquiatra e presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas- ABEAD.

O tema abordou o uso de substâncias psicoativas entre os universitários e os dados são alarmantes: A maior prevalência de uso de substâncias psicoativas: álcool, maconha e inalantes, principalmente, está entre os estudantes de medicina. Eles usam mais substâncias psicoativas do que a maioria da população, no entanto, não se tornam dependentes químicos, como a maioria da população que faz abuso. Os universitários tem alta prevalência de uso de drogas: 26% nos últimos 12 meses.

 

Discutiram o binge drinking- tão comum altíssimo consumo em um curto período de tempo de álcool das festas universitárias open bar. As consequências são cada vez mais graves: acidentes automobilísticos, sexo desprotegido, abuso sexual, coma alcóolico e morte. Ressaltaram a morte do mineiro, em festa UNESP, após consumir 30 doses de vodca em março de 2015 e a universitária de Relações Internacionais de 19 anos, de Brasília, que morreu em há poucos dias, porque fez uso pesado de álcool e com histórico de hiperglicemia, não recebeu glicose no pronto atendimento.

Falta informação aos jovens acerca do risco da exposição às substâncias psicoativas diante da circunstância do desenvolvimento cerebral até os 24 anos. Desconhecem o que é "Beber Pesado".

 

Sabemos que faltam políticas públicas a fim de fiscalizar e monitorar os abusos. No entanto, temos avanços:

2007: Política Nacional do Álcool

2008: Lei seca (11.705)

2012: "Lei seca" mais rigorosa

2015: Lei n. 13.106/2015 que transformou em crime a venda de bebidas álcoolicas para menores de idade.

A demanda de FISCALIZAÇÃO ainda urge.

 

Políticas públicas que regulam a venda do álcool promovem redução de intercorrências policiais e nesta palestra, citaram a redução de 80% de intercorrências policiais em Paulínia, quando o comércio  não vendeu bebida alcóolica aos menores durante o Carnaval.

O olhar para a dependência química é abrangente e precisa ser desestigmatizado. Há inúmeros fatores envolvidos. É unanimidade, em todos eventos que participo, que a abstinência ou seja, o abandono total do uso de substância psicoativa seja a única possibilidade de tratamento. É preciso valorizar pequenas melhoras, ganhos de qualidade de vida, redução de danos.

Para os adolescentes, recomendo que conheçam melhor o CIEE por causa das inúmeras oportunidades de crescimento e desenvolvimento oferecidas, por se tratar de intervenção significativa na prevenção contra o uso e abuso de substâncias psicoativas- lembrando que EVASÃO ESCOLAR é um dos principais fatores de risco para dependência química.