Sobre pesquisas e reportagens

 

A agência USP de notícias publicou recentemente uma matéria sobre minha dissertação de mestrado. Coincidentemente no período em que me vi envolvida em algumas “polêmicas” em blogs, outra jornalista da revista época me ligou para comentar uma pesquisa (essa sim polêmica) do Baron-Cohen (O título da reportagem é “A engenharia do autismo”), resolvi então, escrever um post para esclarecer algumas coisas:

 

Uma pesquisa é apenas um estudo, não é a verdade absoluta e nem mudará o curso de nenhuma doença até que outras pesquisas sejam reproduzidas, comparadas, testadas, repetidas e confirmadas. É assim que a ciência caminha... (um passo de cada vez) me permitam uma analogia antes do primeiro passo na lua quantos outros em terra firme Neil Armstrong e a NASA deram...

 

Fazer uma análise de uma pesquisa requer um apurado senso crítico e um certo nível de conhecimento sobre o tema da pesquisa, bem como metodologias de pesquisa e estatística, entender que uma pesquisa também tem outros interesses envolvidos (aqui me refiro às pesquisas de medicamentos que são financiadas por laboratórios). Essa análise é difícil de ser feita até mesmo por estudiosos.

 

Reportagens e matérias sobre uma pesquisa são um recorte para leigos de um trabalho acadêmico elaborado e analisado por especialistas na área, ou seja, está sujeito a perda de conteúdo com conseqüente perda de significado, a viés de interpretação do jornalista que escreve a matéria, o fator interesse mercadológico também influência afinal a matéria precisa ser vendida/lida/comentada.

 

Toda pesquisa é importante seja para embasar alguma hipótese ou refutá-la.

 

Isso tudo apenas para dizer que quando se depararem com uma pesquisa cujo tema lhe interesse, tente lê-la na íntegra e com o senso crítico ligado, não tome o resultado da pesquisa como verdade absoluta, dados relevantes são evidenciados em vários estudos sobre o mesmo tema.

 

O estado emocional da pessoa que lê a matéria também pode influenciar, esperança e desejo podem tornar o leitor vulnerável a acreditar em alegações falsas e exageradas. E por outro lado sentimentos negativistas e sofrimento podem fazer com que se desconsidere totalmente o resultado de uma pesquisa sem que seu conteúdo seja analisado.

 

Para finalizar, uma pesquisa é sempre o pontapé inicial para novos estudos, assim sempre que um resultado te deixar intrigado, leia mais sobre o assunto, busque fontes diferentes sobre o mesmo tema ou quem sabe monte um projeto de pesquisa e boa sorte!

 

Letícia Calmon D. Amorim

 

Texto anteriormente publicado:

 1 blog Jornal da Cuca em 14/09/2011

2http://www.ama.org.br/site/images/stories/Voceeaama/artigos/120920sobre%20pesquisas%20e%20reportagens.pdf