Psicopatologia e Cinema: Black Ballon (Sei que vou te amar).

Letícia Calmon Drummond Amorim*

 

A história gira em torno de Thomas (Rhys Wakefield - Santuário) adolescente que tenta se adaptar à nova casa, nova escola, se enturmar com as pessoas, e ainda com as situações que sua vida familiar lhe impõe: pai militar que muda constantemente de cidade e a gravidez da mãe que faz com que ele tenha que assumir a responsabilidade pela casa e principalmente pelo irmão mais velho que apresenta autismo (Luke Ford - A Múmia).

O quadro de autismo visto nesse filme, é aquele com a tríade de déficits: linguagem, interação e alterações de comportamento, ou caso prefira, o “Autismo Clássico”. A interpretação do ator Luke Ford é sensacional, ele apresenta um significativo atraso na linguagem, embora ele consiga se comunicar por libras (linguagem de sinais), as estereotipias são evidentes e bem características desses quadros, que também estão associados a um certo grau de deficiência intelectual, a dificuldade na interação social é bem marcada, tendência ao isolamento e uma falta de reciprocidade social (vide cena de interação entre os irmãos), as alterações de comportamento que foram representadas no filme estavam diretamente ligadas à frustração e alterações de rotina, interessante a cena em que se vê impossibilitado de ir ao banheiro e tem um episódio de encoprese (pode representar também uma disfunção executiva).  O filme aponta técnicas comportamentais para modelar comportamentos adequados, e minimizar comportamentos inapropriados, e como já mencionado a comunicação alternativa.

Mas como eu disse anteriormente, o foco do filme não é o autismo e sim as angústias de Thomas, interpretado de maneira comovente e sensível, irmãos de autistas são também foco de alguns artigos, vale citar o de Marciano e Scheuer (2005) que estudaram a qualidade de vida em crianças de 7 a 11 anos e constataram que a presença de um irmão com autismo seria pior do que um irmão com Transtorno de linguagem.

A mãe e o pai que não foram bem explorados pelo roteiro de Elissa Down e Jimmy The Exploder, principalmente o pai e sua relação com um ursinho de pelúcia, completam o núcleo central da trama.

Dirigido por Elissa Down em seu primeiro longa metragem (semi-autobiográfico, afinal é irmã de dois autistas), o filme nos envolve, entretém e de quebra contribui para disseminar informações sobre o autismo.

 

* Cinéfila e psiquiatra.

 

 

 

Fonte: Marciano, ARF; Scheuer, CI Qualidade de vida em irmãos de autistas. Revista Brasileira de Psiquiatria v. 27 n. 1 2005.

http://www.baixarfilmesdownload.net/baixar/filme-sei-que-vou-te-amar-the-black-balloon-dual-audio-dvdrip-xvid/download-gratis.

http://365diasnocinema.blogspot.com/2010/06/black-balloon.html.

http://raining-frogs.blogspot.com/2010/06/sei-que-vou-te-amar.html.

http://en.wikipedia.org/wiki/Elissa_Down.

 

Texto anteriormente publicado no extinto blog Jornal da Cuca em 19/07/2011 e

http://www.ama.org.br/site/images/stories/Voceeaama/artigos/120920psicopatologia%20e%20cinema_%20black%20ballon.pdf